"O Mundo acorda e adormece sem que ninguém o embale.


Ainda assim, estou disposta a oferecer-lhe a minha canção."




quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Desafios do Milénio - Eduardo Cabrita - Correio da Manhã

Desafios do Milénio - Eduardo Cabrita - Correio da Manhã


Enquanto Portugal assiste a um crescendo de tensão pouco racional antecedendo a apresentação do Orçamento para 2011, as Nações Unidas fazem esta semana uma cimeira de balanço dos Objetivos do Milénio, aprovados em 2000 para serem atingidos até 2015. É chocante a diferença de mundos em que coabitamos no mesmo planeta.
Portugal vive a saída da maior crise global num ambiente de revanchismo ideológico relativamente aos maiores sucessos da nossa democracia - o aumento da justiça social que permitiu notáveis sucessos na saúde (mais baixa mortalidade infantil que os EUA ou liderança mundial nos transplantes de rins) e na educação (erradicação do analfabetismo nas novas gerações e frequência do pré-escolar superior à média da OCDE). Foi esta a opção de três décadas de democracia e não a livre escolha para os que têm recursos aumentando as desigualdades. Para a ONU, os desafios reais são reduzir para metade até 2015 as pessoas com fome e os que vivem com menos de um dólar por dia, garantir a escolaridade básica, começar a reduzir as vítimas da sida, malária e tuberculose e garantir o acesso de todos a água potável.
Os resultados até 2008 eram encorajadores. Baixou em 400 milhões os que vivem com menos de um dólar por dia, atingiu-se 89% de frequência da escola nos países mais pobres, a mortalidade infantil baixou 28%. A crise mundial veio travar esta mudança. Calcula-se que 830 milhões tenham fome em 2010, ultrapassando os 817 milhões de 1990. É este escândalo global que exige resposta imediata dos beneficiários da globalização. Houve progressos na redução da pobreza na China ou no Brasil ou pequenos ovos de Colombo, como o programa de fornecimento de mosquiteiros que reduziu as vítimas da malária em S. Tomé. Entre os lusófonos, Cabo Verde é um exemplo de sucesso no combate à pobreza e Moçambique tem feito progressos na literacia e na saúde, o que torna ainda mais vergonhosa a situação de Angola, onde mais de metade da população não sabe ler nem tem água potável.
Portugal tem de ser solidário no plano mundial e estabelecer os seus Desafios do Milénio com um consenso alargado até 2020 (qualificação das pessoas, metas ambientais e criação de emprego) abandonando um debate menor sobre décimas da execução orçamental. É desastroso para o nosso futuro num mundo em crise que a resposta dos portugueses à necessidade de mudar de vida e ter objetivos a longo prazo tenha sido um aumento de 40% das venda de automóveis, 30% nos novos telemóveis e de 22% novos cartões de crédito. Só temos um país para mudar, só temos um planeta para salvar.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Competitividade - Eduardo Cabrita - Correio da Manhã

Competitividade - Eduardo Cabrita - Correio da Manhã


Segundo a revista ‘Forbes', Portugal é em 2010 o 24º melhor país do mundo para fazer negócios (o que compara com o 27º do Japão, o 33º da Espanha ou o 63º da Grécia...) mas a fragilidade do sistema educativo é o maior obstáculo para o aumento da produtividade e o crescimento da economia. Na semana passada, o Fórum Económico Mundial dava-nos o 46º lugar no ranking da competitividade (entre a Espanha e a Itália mas muito longe da Grécia), mas apontava entre os maiores problemas a burocracia e o funcionamento da justiça . Destacava como positiva a saúde (8ª mais baixa mortalidade infantil), a qualidade das estradas (8º), a celeridade para iniciar um negócio (13º - efeito da Empresa na Hora) ou o uso de novas tecnologias pela administração pública (17º).
Estes indicadores demonstram que o crescimento e a competitividade exigem uma guerra cultural à burocracia, divulgando e alargando as boas práticas, como o cartão do cidadão ou as declarações eletrónicas, e um consenso alargado sobre a aposta na educação e na qualificação ao longo da vida. Como os países nórdicos demonstram, a competitividade é reforçada com a aposta na educação e saúde de qualidade como bens públicos de acesso universal. Em 1974, apenas 8,3% das crianças frequentavam o pré-escolar e 5% dos jovens o ensino secundário. A paixão de Guterres levou aos jardins de infância 71% das crianças em 2000 e este ano ultrapassamos os 80%. No ensino secundário, só em 2007 a frequência ultrapassou os 60%. O programa Novas Oportunidades, o alargamento para 12 anos da escolaridade obrigatória e a aposta no ensino superior pós-laboral são batalhas de uma longa guerra pelo conhecimento destacada pela OCDE.O início do ano escolar foi marcado pelas centenas de novos centros escolares, para fazer esquecer as indignas escolas do antigamente, pelo envolvimento ativo das autarquias na gestão do ensino básico e pelo aumento das vagas no superior, mesmo em Medicina, apesar das resistências da Ordem dos médicos instalados.
Na burocracia, o licenciamento zero das atividades económicas é um novo marco da guerra contra a corrupção e a prepotência dos pequenos poderes. É em torno dos sucessos e dos bloqueios de hoje que se devem definir as novas ambições para maior competitividade com justiça social. As sondagens já provaram que a quezília constitucional contra as políticas de coesão não dão saúde nem longa vida à desorientada liderança do PSD que bem precisa destes meses de limbo presidencial para repensar prioridades e olhar para a um futuro competitivo para lá da consolidação orçamental.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Além do Orçamento - Eduardo Cabrita - Correio da Manhã

Além do Orçamento - Eduardo Cabrita - Correio da Manhã

A vida de uma família, comunidade ou país pode ser vista, pensada ou sonhada a vários ritmos e tempos. O tempo da política, dos poderosos mercados financeiros ou dos media é cada vez mais marcado pela ditadura do momento, pela ansiedade do byte e pela excitação do último escândalo público. A consequência é a autofagia do quotidiano, a falta de distanciamento e estratégia.
Amanhã será 9 de Setembro, dia mítico descoberto por Passos Coelho numa noite quente de Quarteira como limite para apresentação das linhas gerais do Orçamento enquanto o PR ainda poderia dissolver o Parlamento. O alvo da ameaça é errado (amanhã nada muda nos poderes do Governo mas sim do Presidente em fim de mandato), a substância pobre (os limites às deduções fiscais eram previstos no PEC viabilizado pelo PSD em Março) e, como Cavaco Silva lembrou, o Orçamento é apresentado a 15 de Outubro.
Depois do anúncio da proposta de revisão constitucional, foi o segundo passo em falso da nova liderança do PSD, dividida entre a avidez de poder a qualquer custo e as agruras da estratégia a médio ou longo prazo. Os portugueses são propensos à depressão e crise de confiança, mas o mérito de três décadas de democracia foi transformar Portugal num dos 38 países de muito alto desenvolvimento humano. É nos indicadores sociais que mudamos profundamente - a esperança de vida passou de 68 anos em 1975 para 78.6, a mortalidade infantil baixou de 53 por cada mil em 1970 para menos de 4 e o analfabetismo de 30 para 5%. O nosso IDH em 1970 correspondia ao atual da Tunísia e a mortalidade infantil à da Índia. Foi este o caminho do modelo social português que temos de considerar quando se fazem comentários apressados sobre o SNS ou a universalização da escola pública.
Hoje temos de discutir como adequar eficiência no uso dos recursos, promoção da competitividade e crescimento a regras partilhadas por países com a mesma moeda e sem fronteiras mas com diferentes níveis de crescimento. O próximo Orçamento é uma versão anualizada do PEC, que só entrou em vigor em Julho. A equação difícil que vale a pena discutir é qual a dose certa de austeridade que dê fibra e credibilidade à economia sem voltar a pôr o doente em coma recessivo. Para isso é preciso saber como chegamos ao atual nível de desenvolvimento social e definir objetivos a longo prazo, a discutir depois de amanhã, superando exaltações de Verão de lideranças adolescentes com naturais crises de afirmação.

domingo, 13 de setembro de 2009

quando a razão se cruza com a emoção




Porquê algo do lado de lá colocado aqui, do outro lado do espelho?

Talvez porque Sousel seja muito mais do lado de cá ...


"Caro Mário Marques, o nosso futuro Presidente da Câmara Municipal de Sousel,

Caros candidatos à Câmara, à Assembleia Municipal, com quem terei muito gosto em trabalhar, às Juntas de Freguesia,

Caro Rui Simplício, o nosso Presidente da Federação do PS de Portalegre, a pessoa que garante o bom funcionamento do Partido no Distrito,

Cara Idália Moniz, minha amiga, minha camarada do Secretariado Nacional e brilhante Secretária de Estado deste Governo, que colocou a reabilitação no centro das nossas preocupações sociais,

Caro Eduardo Cabrita, com quem partilho sonhos, ideais e a minha vida, também membro da Direcção Nacional e ilustre Secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro e da Administração Local, o verdadeiro paladino da descentralização e da modernização do Poder Local,

Caro Miranda Calha, responsável pelas Autárquicas 2009 e o nosso cabeça de lista, por Portalegre, para as Legislativas,

Meu querido Amigo Carlos Alberto Moniz, sempre generoso e amigo do seu amigo, cujo lema de vida é Liberdade, Igualdade, Fraternidade;

Caros Souselenses,
Caros Canenses,
Caros Albidomenses,
Caros Santamarenses,

Caras e caros Amigos

Hoje é um dia muito especial para mim.

Hoje é o dia em que assumo publicamente, pela primeira vez, uma candidatura autárquica a uma terra a que tanto me liga.

Hoje apresento a minha candidatura a Presidente da Assembleia Municipal de Sousel.

Estou no Governo há quatro anos e meio. Sou candidata a deputada. Como sabem estou ligada a alguns dos maiores projectos de desenvolvimento do nosso País, o TGV, os restantes caminhos-de-ferro, as plataformas logísticas, os portos, os metropolitanos, as redes de autocarros, etc, etc.

Mas é para mim uma honra, como nunca tive, o convite do Partido Socialista para ser candidata à Assembleia Municipal de Sousel.

Esta é a terra dos meus Pais, dos meus Avós, da grande maioria da minha família e de alguns amigos de infância, de juventude e de agora, meus, do meu irmão e da minha irmã, dos meus sobrinhos e dos meus Pais.

Tendo, por acaso da vida, nascido fora do País, o Cano é a minha pequena Pátria que sempre senti como o reencontro com as minhas raízes.

Por isso, esta candidatura é para mim um acto de cidadania, mas é também o meu compromisso com a terra que tanto me deu.

Não basta eu e os meus irmãos, que são médicos, apoiarmos noutros sítios, quem daqui vai ao nosso encontro.

Devo aos meus Pais criar, aqui, nesta terra, as oportunidades que eles não tiveram, há cinquenta anos, quando tiveram que daqui sair para dar um mundo melhor aos seus filhos e netos.

As próximas gerações merecem ser felizes aqui! É aqui que devem ter direito à educação, à saúde, ao emprego, a uma vida melhor!

Por isso quero frisar bem a importância deste período eleitoral.

Já daqui a 2 semanas teremos as eleições legislativas. No dia 27 de Setembro iremos eleger o próximo Primeiro-Ministro de Portugal e o Partido que formará Governo.

E a bem de Portugal e dos Portugueses só pode haver um resultado:

José Sócrates continuar a ser o nosso Primeiro-Ministro!

O Partido Socialista ganhar as próximas eleições legislativas!

O que vai estar em causa é a escolha entre dois candidatos a Primeiro-Ministro, dois projectos e duas atitudes.

O que está em causa é se queremos o avanço da política de desenvolvimento ou, por outro lado, a paragem de todos os projectos que criam igualdade de oportunidades, que criam emprego, que ajudam o País a desenvolver-se.

O que está em causa é se queremos uma liderança forte, determinada e com ambição, que acredita em Portugal e nos Portugueses ou, por outro lado, se queremos alguém com ideias bafientas, ultrapassadas e que tudo quer parar, tudo quer suspender.

Nós queremos um Serviço Nacional de Saúde para todos. Queremos Escola Pública a tempo inteiro que permita aos filhos dos mais pobres terem as mesmas oportunidade dos filhos dos mais ricos. Queremos os cuidados continuados e apoio aos idosos. Queremos uma Segurança Social pública. Queremos investimentos públicos que criem emprego e desenvolvimento.

Com o PS teremos desenvolvimento e igualdade de oportunidades para todos, no litoral ou no interior, nas grandes cidades ou em Sousel.

Com Ferreira Leite não é só a privatização da Saúde, da Escola e da Segurança Social, não é só a grave defesa de ficarmos orgulhosamente sós, isolados da rede europeia de alta velocidade, é a certeza, também, que não haverá investimento em estradas no norte alentejano, que não será feito o IP2, nem a ligação entre Sousel, Fronteira e Alter do Chão.

A escolha é clara. Só depende dos portugueses.

Não aceitamos a suspensão de Sousel, nem do Alentejo. Queremos um Alentejo de futuro e de progresso.

É, por isto, que é fundamental votar no dia 27 para elegermos de novo José Sócrates para Primeiro-Ministro e para um novo Governo do Partido Socialista.

Já daqui a 4 semanas teremos as eleições autárquicas. No dia 11 de Outubro iremos eleger os homens e mulheres que irão dirigir os destinos dos nossos Municípios e das nossas Freguesias.

E aqui em Sousel o resultado só pode ser um:

Mário Marques será o próximo Presidente da Câmara Municipal de Sousel!

O Joaquim Francisco continuará a ser o nosso grande Presidente da Junta de Freguesia de Cano!

A Fernanda Capela ganhará Casa Branca.

O João Bolas ganhará Santo Amaro.

E o José Bernardino Pascoal será o próximo Presidente da Junta de Freguesia de Sousel.

E eu quero, com o vosso apoio, ser Presidente da Assembleia Municipal de Sousel.

As Autarquias são fundamentais porque são o maior exemplo de participação cívica de mulheres e homens que se dedicam à comunidade em que nasceram, onde vivem ou à qual estão profundamente ligados.

O Poder Local é a verdadeira escola da democracia. Só nos municípios, só nas freguesias, há esta relação olhos nos olhos. Principalmente fora dos grandes centros urbanos.

E vou dar-vos um exemplo. Quem é que no Cano não conhece este grande exemplo de dedicação à causa pública, este grande socialista, o nosso camarada Joaquim Francisco, o Presidente da Junta de Freguesia do Cano.

As autarquias locais têm hoje cada vez mais competências, já não é só a recolha de lixos ou as ruas e caminhos, as autarquias hoje têm competências decisivas na educação, na acção social e sobretudo são agentes de desenvolvimento, são os principais motores de criação de oportunidades e de promoção da qualidade de vida e da competitividade.

E porque é que tem que ser o Partido Socialista a ganhar as próximas eleições?

A razão está à vista. Olhemos para Sousel. O que vemos?

Uma Câmara sem iniciativa, adormecida, sem obra, sem capacidade de concretizar projectos que criem emprego e promovam o desenvolvimento.

Uma Câmara que disfarça a inércia com demagogia, com compadrio, com intimidação. Que asfixia democrática esta em que alguns me disseram que gostariam de estar aqui mas têm medo! Que asfixia democrática esta em que houve pessoas que não integraram as nossas listas, apesar de nos apoiarem, porque têm medo das represálias! Medo!!!

É fundamental no dia 11 de Outubro acabar com esta tristeza, este apagamento, esta desertificação, esta asfixia democrática que tem marcado Sousel.

Sousel não pode ser a pequena Madeira do Alto Alentejo!

É tempo de uma câmara PS!

Olhem para Estremoz, olhem para Borba, olhem para Elvas e vejam o que é a dinâmica de Câmaras lideradas por socialistas.

Com o Mário Marques, com todos vós, estou aqui para me bater pelo desenvolvimento desta terra, para ser a porta-voz de Sousel junto do próximo Governo do Partido Socialista. Para me bater por boas acessibilidades na região, pela construção de uma nova estrada no eixo de desenvolvimento Estremoz / Sousel / Fronteira / Alter do Chão, garantindo boas ligações ao IP2 e ao IC13.

Vou defender uma Autarquia activa na promoção de uma agricultura de sucesso, na produção de azeite, de vinho, na captação de fundos comunitários para apoio à formação dos agricultores e no desenvolvimento de uma agricultura competitiva. A actual Câmara nada fez para trazer para Sousel os fundos europeus que existem para apoiar a modernização da agricultura.

Vou-me bater pelo turismo, pela defesa do património, pela caça, como bases para atracção de visitantes e de criação de emprego e de riqueza em Sousel.

Vou-me bater por serviços públicos de qualidade, pela garantia do ensino pré-escolar para todas as crianças, pela dignidade para os idosos e pela garantia de cuidados de saúde.

Vou-me bater por melhores transportes, por uma rede intermunicipal de ligação entre freguesias e aos outros Concelhos, a Estremoz, a Évora, a Portalegre.

Quero ser a embaixadora de Sousel junto dos investidores e captar para aqui empresas que tragam inovação, que tragam investimento, que criem emprego qualificado em Sousel e para os souselenses. Temos que ter emprego qualificado para que os nossos jovens que daqui saem para estudar possam voltar e ter empregos à altura das suas qualificações.

Este é o meu compromisso com o futuro de Sousel!

As próximas gerações merecem ser felizes aqui!

Quero, com o vosso apoio, ser a primeira mulher Presidente da Assembleia Municipal de Sousel e garanto-lhes que vou exercer o mandato até ao fim.

Dia 11 de Outubro vamos votar PS, vamos votar Mário Marques, vamos mudar Sousel!

Por Portugal!

Pelo Alentejo!

Por Sousel!

Pelos souselenses!"


Sousel, 13 de Setembro de 2009